sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

viagem ao centro da terra

Sabe o que descobri? Que sou uma cebola. Não, não a da salada. Na verdade, sou como uma cebola. E cebola tem camadas, muitas, uma após a outra. Comecei a retirá-las há um bom tempo. Primeiro a casca. Esfarelava, esfarelava, não saía toda. Depois é que vieram as camadas, mas parece nunca ter fim. Tal qual a dita cuja, deve haver um âmago, um centro. Desconfio ser meu coração, minha alma, meu subconsciente, ou tudo isso junto, mas não cheguei a lugar nenhum. O fato é que nem sei o que estou procurando. E também tem isso: eu sou é muito cebola, porque nessa coisa toda não é que choro? Pronto. Paro lá onde estou e deixo pro dia seguinte. Só que essa cebola não estraga, não fica escura, não apodrece. Ela só faz chorar, mas continua lá, intacta, esperando que eu tire mais uma camada, que eu vá mais fundo, que eu descubra mais coisas e que fique curioso por desvendar o que está embaixo. Morte às cebolas.

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