sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

buscai e nem sempre achareis

Se me visto agora e saio pelas ruas, em cada esquina, o que procuro?

Quando fecho meus olhos depressa, ainda acordado, que alívio espero encontrar dentro de mim?

Quando abandono meu corpo, tantas vezes, cada dia, cada noite, que caminhos percorro?

Ah, nem sei quem sou de verdade

Talvez devesse ficar nu diante de um espelho, por horas, olhando em meus próprios olhos

Este estranho que me acompanha desde que nasci

Talvez ouvisse as palavras contidas nesse grito preso à garganta

Talvez isso me bastasse para borrar e reescrever minha vida

Ou talvez tivesse a coragem de desapropriar-me delas, entregá-las ao mundo

Quem ouviria? Ouviriam?

Ou diriam: pobre criatura

Mas não era eu quem acreditava que as coisas existem por si mesmas?

Que há uma força que as domina?

Quero ser salvo pela metafísica, pelo que imperfeitamente conheço dessa outra realidade

Porque o mundo real me dá com uma mão

Mas maldoso e traidor, me retira tudo com a outra

E nisso, se Deus existe, não há Justiça

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