Se me visto agora e saio pelas ruas, em cada esquina, o que procuro?
Quando fecho meus olhos depressa, ainda acordado, que alívio espero encontrar dentro de mim?
Quando abandono meu corpo, tantas vezes, cada dia, cada noite, que caminhos percorro?
Ah, nem sei quem sou de verdade
Talvez devesse ficar nu diante de um espelho, por horas, olhando em meus próprios olhos
Este estranho que me acompanha desde que nasci
Talvez ouvisse as palavras contidas nesse grito preso à garganta
Talvez isso me bastasse para borrar e reescrever minha vida
Ou talvez tivesse a coragem de desapropriar-me delas, entregá-las ao mundo
Quem ouviria? Ouviriam?
Ou diriam: pobre criatura
Mas não era eu quem acreditava que as coisas existem por si mesmas?
Que há uma força que as domina?
Quero ser salvo pela metafísica, pelo que imperfeitamente conheço dessa outra realidade
Porque o mundo real me dá com uma mão
Mas maldoso e traidor, me retira tudo com a outra
E nisso, se Deus existe, não há Justiça
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
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