sábado, 24 de abril de 2010
Nossos olhos
Eu te sinto por todos os lados. Teus olhos e tuas pernas, que se movem e te levam pra longe de mim. Abro e fecho os olhos, e lá estás tu, olhos, pernas. Então, entrego-me aos sonhos, e neles te vejo outra vez, agora mais inteiro, real, mais tu mesmo, um tu meu. Mais eu mesmo. Um eu teu. Eu digo e tu dizes, teus olhos estão mais perto, vejo-te melhor, não há pressa. Tua voz não é trêmula, eu não tenho medo, o mundo não existe a não ser porque estamos nele. Mas recorda, há um dragão que se move entre nós. Feio, impiedoso, cheio de mágoa. Um dragão meu e teu, nosso, uma cria estranha, acariciada, cuidada, alimentada aos montes para não morrer. E eu não posso lidar com ele sozinho, porque tentei matá-lo algumas vezes, já nessa revolta que nasceu dentro de mim, mas não dou conta sem tua ajuda, porque eu o derrubo e tu o levantas, eu lhe dou o veneno e tu lhe dás o antídoto. E não adianta colocá-lo para fora, porque ele escuta teus apelos, e os meus que eu tento abafar, e derruba a porta mais furioso e se põe entre mim e tu. Ah, ajuda-me a aniquilar esse monstro, ajuda-me a descarregá-lo bem longe de nós, num lugar qualquer, onde ele não possa cuspir o fogo que mata tudo ao redor. Porque sem ele só restamos eu e tu, e já não é muito? Quem precisa desse tolo? E antes que me esqueça, perdoa-me por tudo, perdoa-me o que bem sabes que te peço que me perdoes, porque fiz o que fiz porque não sabia lidar com esse monstro, que irracional que é, como toda besta-fera, foi maior do que meu coração, foi maior do que minha razão. Perdoa e olha-me nos olhos, queixo erguido, o queixo que o dragão insiste em baixar para continuar pondo-se entre nós. Olha-me, que o tempo urge e amanhã não há. E agora, que estes meus olhos me pesam e tenho sono, quem sabe não te encontro longe dele e posso dizer-te isto tudo antes que leias isto tudo. Dorme bem tu também.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Todo dia é Natal
Natal significa nascer....por isso, a cada ano, do marco de nossos nascimentos, comemoramos o acréscimo de um período, quando, de verdade, deveríamos também celebrar o começo de outro, o (re)nascimento. E como nascer é vida, o renascimento é a esperança dessa vida renovada, reafirmada. Pensamos, existimos, somos, e podemos fazer muito - para isso (re)nascemos todos os dias para a vida corpórea, enchendo o mundo de possibilidades e tomando em nossas mãos um mundo de possibilidades. Nossa passagem planetária não é um descuido do acaso, uma rota pega sem querer - é fruto de nossas decisões e de uma acerto espiritual que nos quis aqui, nos precisou aqui e confiou em nós aqui. As enchentes e a corrupção, as tristes notícias de crianças jogadas ao rio ou cheias de agulha são o reflexo do estado ainda primitivo de nossos corações - mas que alegria, há tantas pessoas que se aviltam com isso, que choram lágrimas, e isso é o sinal de que a mudança está próxima, de que o sofrimento de um irmão não nos é indiferente. Estamos aqui presenciando isso porque talvez sejamos os artífices da mudança que o Globo merece e para a qual está se preparando, nessa lenta e contínua evolução da humanidade. Não nos desesperemos, porque o desespero cega os olhos e tampa os ouvidos; não nos iremos, porque a ira mata os bons propósitos e endurece nossos corações - lembremos que nós também temos tanto a fazer por nossa imperfeição de coração e de consciência. Cada um é apenas aquilo o que conseguiu até agora - não, isso não é conformismo - é pensamento Cristão, que objetivamente entende o atraso das criaturas e as perdoa pelas faltas, mas as chama à responsabilidade na medida daquilo que já podem entender de sua conduta. Talvez nós sejamos aqueles a quem mais se pedirá explicações, pois já sabemos que 'fora da Caridade não há salvação'. E como Jesus disse 'bem-aventurados os humildes, porque deles é o reino de Deus', procuremos sempre ajudar ao invés de vermo-nos cegados por nossa crítica ácida e destrutiva. Temos, sim, de apontar os erros e de nos conformar com as mazelas que nossa sociedade derrama sobre si mesma, mas temos de fazê-lo de forma construtiva, de forma instrutiva, abrindo mentes e corações, e não aumentando os ódios e as revoltas; unindo as criaturas e dando-lhes amor, não separando-as e jogando sobre elas anátema. Ah, quão difícil é tudo isso... mas Jesus não nos disse que nós poderíamos fazer o que Ele fazia e ainda mais? Que éramos Deuses também?Então, lembremos de Suas palavras e, mais que isso, acreditemos nelas, verdadeiramente. Todos os dias, procuremos elevar nossos pensamentos a Deus, em silêncio, e recordemos a grandeza do Universo, que continua absoluto em seu movimento apesar de nossos erros e desacertos. A vida continuará sempre e nós somos parte da vida, e assim, pela força que move as coisas, força que atende pelo sublime nome AMOR, o Universo, harmonia em sua criação, será harmonia em sua realização.
Amor, amor e amor,.... não é isso o que nos salvará e elevará à presença de Deus, um dia? Então, vibremos amor já, hoje, agora, por nós mesmos, por nossas famílias, por nossos amigos e inimigos, pelos animais, pelo Planeta, pelo Universo. O amor. É tão bom o amor.
Amor, amor e amor,.... não é isso o que nos salvará e elevará à presença de Deus, um dia? Então, vibremos amor já, hoje, agora, por nós mesmos, por nossas famílias, por nossos amigos e inimigos, pelos animais, pelo Planeta, pelo Universo. O amor. É tão bom o amor.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
O pequeno pedaço de papel
Sóis se levantarão e deitarão, e mesmo assim, tudo ainda estará aqui, agarrado nas paredes do meu corpo, como o ar que respiro. Confesso-te, nada acabou. Embora por vezes quisesse ter dilacerado este coração com minhas próprias mãos, sangrá-lo, fazê-lo pequeno, vazio de todas as horas. Perdoa-me se partilho estas duras palavras, mas é a mim que escrevo, para que sempre me recorde, para que não me engane quando andar por aí, num mundo que me crê maior do que sou. Nesse dia, correrei para um canto onde não me vejam, desdobrarei este pequeno pedaço de papel e logo as palavras estarão úmidas dos meus olhos, porque, bem sei, nada acabou. Minha alma é permeável como a terra, e ela de tudo se inunda, e ela tudo retém. E minhas mãos, estas duas mãos que seguram o papel, elas sequer conseguiram tocar meu coração.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Miriam
Hoje chove a cântaros a tristeza da tua partida
A terra traga as lágrimas de todos os que te lembram
Os corações engolfam a dor da ausência
E nem essa fé imensa
Nos liberta ou nos compensa
Não te temos aqui, não te temos aqui
Mas não te aflijas, isso é só amor
Nosso grande amor por ti
Um amor feito dor
Por não te sentir
Não te beijar, não te chamar de Mirinha
Mas ainda estás aqui dentro
Plasmada, agarrada a nossa memória
Tua voz, teus gestos, teu grande espírito
Por isso continuamos olhando para o alto
Na esperança de ainda te ver
Ver-te em teu sorriso
Tua inocência
Que o tempo só aumentou
Sim, Miriam
São muitas as lágrimas que molham o chão
São tantas, tantas
Porque tanto, tanto
É o nosso amor por ti
A terra traga as lágrimas de todos os que te lembram
Os corações engolfam a dor da ausência
E nem essa fé imensa
Nos liberta ou nos compensa
Não te temos aqui, não te temos aqui
Mas não te aflijas, isso é só amor
Nosso grande amor por ti
Um amor feito dor
Por não te sentir
Não te beijar, não te chamar de Mirinha
Mas ainda estás aqui dentro
Plasmada, agarrada a nossa memória
Tua voz, teus gestos, teu grande espírito
Por isso continuamos olhando para o alto
Na esperança de ainda te ver
Ver-te em teu sorriso
Tua inocência
Que o tempo só aumentou
Sim, Miriam
São muitas as lágrimas que molham o chão
São tantas, tantas
Porque tanto, tanto
É o nosso amor por ti
sábado, 18 de abril de 2009
Sempre
A palavra que me abriga é sempre
Sempre, que é tão maior do que para sempre
Porque não tem partida
E nem tem começo o que sempre existiu
E qual o gigante que é o mar
Imenso, absoluto, infinito em meus olhos
Trago o universo dentro de mim
Cada partícula e os planetas
Cada palavra e a flexão de todos os verbos
O fogo que queima, a brisa que sopra, as pegadas na areia
O abraço que acalma, o cavalo selvagem, a água que cura
Sou tudo e sou todas as pessoas
Sou o filho e o pai, a mãe e os irmãos
Sou Deus e as estrelas
Sou o todo e sou o sempre
O sempre que não veio antes de agora
O sempre que é depois de hoje
O sempre que sempre será
A palavra que me abriga é sempre
Porque não tem fim o que sempre existiu
De outra forma nada haveria
Eu mesmo não seria
Sempre, que é tão maior do que para sempre
Porque não tem partida
E nem tem começo o que sempre existiu
E qual o gigante que é o mar
Imenso, absoluto, infinito em meus olhos
Trago o universo dentro de mim
Cada partícula e os planetas
Cada palavra e a flexão de todos os verbos
O fogo que queima, a brisa que sopra, as pegadas na areia
O abraço que acalma, o cavalo selvagem, a água que cura
Sou tudo e sou todas as pessoas
Sou o filho e o pai, a mãe e os irmãos
Sou Deus e as estrelas
Sou o todo e sou o sempre
O sempre que não veio antes de agora
O sempre que é depois de hoje
O sempre que sempre será
A palavra que me abriga é sempre
Porque não tem fim o que sempre existiu
De outra forma nada haveria
Eu mesmo não seria
domingo, 5 de abril de 2009
O amor à claridade
Nas distâncias vistas à claridade
Surgiu, enfim, sua maior verdade
Porque mesmo que o tivessem dito por piedade
Por nele virem aquela desconcertante humildade
Tudo agora era mais do que mera possibilidade
De que para esse homem tolo e sem vaidade
Cheio de dor, lágrimas e saudade
Não havia, mesmo, lugar para a maldade
Mas somente a terna ingenuidade
Dessas pessoas que põem o amor à claridade
Surgiu, enfim, sua maior verdade
Porque mesmo que o tivessem dito por piedade
Por nele virem aquela desconcertante humildade
Tudo agora era mais do que mera possibilidade
De que para esse homem tolo e sem vaidade
Cheio de dor, lágrimas e saudade
Não havia, mesmo, lugar para a maldade
Mas somente a terna ingenuidade
Dessas pessoas que põem o amor à claridade
sexta-feira, 27 de março de 2009
Tum, Tum, Tum, Tum
Qual parte de mim dói mais? Os pés que andaram tanto, tão longe já, ou estes olhos que insistem em buscar? Também tenho um coração, e ele faz Tum, Tum, Tum, Tum. Paro para ouvi-lo no silêncio: até quando? Pareço estar num intervalo sem fim, nesse alguém que não sou eu. Uma vida que não é minha, um sonho do qual é difícil acordar ou o reverso que não consigo ousar. E apesar disso, e apesar de mim, segue o teimoso coração: Tum, Tum, Tum, Tum.
Assinar:
Postagens (Atom)
