sexta-feira, 27 de março de 2009

Tum, Tum, Tum, Tum

Qual parte de mim dói mais? Os pés que andaram tanto, tão longe já, ou estes olhos que insistem em buscar? Também tenho um coração, e ele faz Tum, Tum, Tum, Tum. Paro para ouvi-lo no silêncio: até quando? Pareço estar num intervalo sem fim, nesse alguém que não sou eu. Uma vida que não é minha, um sonho do qual é difícil acordar ou o reverso que não consigo ousar. E apesar disso, e apesar de mim, segue o teimoso coração: Tum, Tum, Tum, Tum.

domingo, 15 de março de 2009

Em minhas mãos

As portas estão abertas e não há mais ninguém no caminho. Ponho-me em marcha, a vencer a distância que me separa da grande verdade, qualquer que seja ela. E mesmo que nada pareça real, há a luz que me atravessa a alma e por isso sei que é dia e não noite, que estou vivo e não morto. Surpreendo-me por não sentir medo, porque nem mesmo imagino o que encontrarei fora daqui. Penso em Deus e sua corte de anjos, embora mais me pareça com o demônio e seus soldados de fogo. Rio de minhas tolas pretensões, porque nenhum deles tem qualquer interesse em mim. O fato é que estou por minha conta e risco, sem intermediários, sem representantes ou tutores, sem pai e mãe. Nada me resta senão meu destino e minha consciência, minhas ações e o resultado delas. Eu e mim mesmo. É o que tenho, o irrelevante peso de minha existência.

domingo, 1 de março de 2009

O vôo do pássaro

Mata-me, mata-me agora, mas não tiras o que vai dentro de mim, enraizado fundo no coração. Não removes a melancolia e nem a alegria que são minhas, só minhas. Não apagas meus passos e os dias vividos. Mata-me, mas não me matas, nunca me matarás, estou mais vivo do que nunca. Mata-me, e ainda seguirei nos pensamentos que viajam em alturas das quais não suspeitas e não podes alcançar. Mata-me, que não tenho medo do punhal. Antes que ele me atravesse o peito o pássaro já terá voado longe.