Um dia conto meu sonhos
Não, não aqueles enquanto durmo
Digo dos sonhos-vivos, os acordados
Aqueles que me vêm quando estou no trânsito
No trabalho, em casa, na farmácia
São sempre os mesmos, três ou quatro
Já se tornaram meus conhecidos, até converso com eles
Não, ainda não lhes dei nome, não quero tanta intimidade
Um sonho é um projeto (impossível, talvez, mas um projeto)
Não posso ficar íntimo, chamar pelo apelido
Desse jeito eles deixam de ser sonhos
E terei de inventar outros
E o caso é que estou muito satisfeito com estes
Já os conheço bem
Convivo com eles há décadas
Acho até que já os conhecia antes de nascer
Dessa forma, fico pensando se devo contar meus sonhos
Porque se meus sonhos são os sonhos de outros que também sonham
A quem eles irão de atender primeiro?
A mim ou aos outros?
Pronto, não conto nada
Que um pouco de egoísmo não faz mal a ninguém
E quanto aos meus sonhos, que se contentem com o anonimato
Que para isso são sonhos
domingo, 23 de novembro de 2008
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