domingo, 23 de novembro de 2008

a terceira dimensão do nada

Um dia conto meu sonhos

Não, não aqueles enquanto durmo

Digo dos sonhos-vivos, os acordados

Aqueles que me vêm quando estou no trânsito

No trabalho, em casa, na farmácia

São sempre os mesmos, três ou quatro

Já se tornaram meus conhecidos, até converso com eles

Não, ainda não lhes dei nome, não quero tanta intimidade

Um sonho é um projeto (impossível, talvez, mas um projeto)

Não posso ficar íntimo, chamar pelo apelido

Desse jeito eles deixam de ser sonhos

E terei de inventar outros

E o caso é que estou muito satisfeito com estes

Já os conheço bem

Convivo com eles há décadas

Acho até que já os conhecia antes de nascer

Dessa forma, fico pensando se devo contar meus sonhos

Porque se meus sonhos são os sonhos de outros que também sonham

A quem eles irão de atender primeiro?

A mim ou aos outros?

Pronto, não conto nada

Que um pouco de egoísmo não faz mal a ninguém

E quanto aos meus sonhos, que se contentem com o anonimato

Que para isso são sonhos

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