segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Eco
O silêncio eu passo. Não me interessa. Quero os sons. O mundo em movimento: ônibus, carros, pessoas apressadas. Músicas, gritos, risadas, latidos. O ranger da porta. A chave que gira. A chuva. Os trovões. A vassoura que varre o chão. O ponteiro do relógio. O ruidoso êxtase dos amantes. O sussurro. A goteira. Sirenes. Elevadores que sobem e descem. Preciso da voz de todas as coisas, porque o silêncio é morte e estou vivo. Meu coração pulsa, minhas veias transportam sangue, meu pulmão enche e esvazia, e nisso não há silêncio. Meu corpo trabalha e minha alma não descansa. E meus pensamentos fazem barulho, muito barulho, porque são a síntese de minha existência, e minha existência são todos os sons de minhas lembranças.
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