quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

I dont fly too far

I’ll be away
But still thinking
As I always am
Restless mind
Hopeful heart
Unsettled creature
I’ll be away
But still dreaming
This impossible dream of mine

A meus pais

Pai, mãe

Onde está o amor?

No encontro de nossas mãos às das pessoas que amamos?

No beijo que damos em quem queremos bem?

Nos olhos que enxergam o objeto de nossa devoção?

Não!

O amor habita nosso coração

Por isso amamos quem está longe

Eis aí a prova da eternidade do amor

Porque não há distância ou tempo que o faça morrer

E se amamos quem partiu

É porque esse alguém também nos ama

E esse sentimento, o maior de todos

Nos une para sempre

Nada acabou, portanto

Estamos apenas nos intervalos dos momentos mais felizes

Para aprendermos algumas lições

Mas tudo existe com uma força inexorável

Eterna, vital

Aprendamos a acreditar nisso

Na eternidade da vida

Na eternidade de Deus

Porque isso significa, no fim do caminho

A eternidade do amor

Que nunca morre

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Miriam

Pediram que não chorássemos

Pediste que não chorássemos

Pedi que não chorássemos

Mas sabe

Há dias

Há músicas

Há memórias

Há remorsos

Há nossa impotência em te salvar

Então,

Perdoa-me a fraqueza

Perdoa-me o egoísmo

Perdoa-me por ter chegado tarde demais

Perdoa-me quando não te ouvi

Perdoa-me quando preferi olhar pro outro lado

Perdoa-me quando não te ajudei

Perdoa-me quando não fui teu irmão

Perdoa-me estas lágrimas

Perdoa, perdoa, perdoa

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

se alguém souber, me conte

Tens o olhar duro, como um guarda de rainha. E teus olhos são como teu coração, ou este é ainda mais duro. Hermético. Fechado a vácuo. Asséptico. Às vezes me ocorre que ao invés daquele músculo dentro do peito, carregas uma enorme barra de gelo, que não derrete e não amolece, porque o calor não lhe faz nenhum efeito. Assim te considerando, diria que não te conheço, que não sei quem és, ou talvez tenha conhecido uma cópia tua, um clone, um projeto que saiu-se melhor que o original. Ou era um farsante. Ou eu estava bêbado. Ou tudo era pura ilusão de ótica.

domingo, 21 de dezembro de 2008

walking on a broken glass

De todas as coisas, quero te dizer que sei. Tudo. Conheço-te os movimentos, as reações às ações. Há um jogo de puxa e empurra, de gato e rato, de positivo e negativo, que impede que ocupemos o mesmo espaço. Há uma repulsão que na verdade é atração. E sabe quando sei mais? Quando o acaso se ocupa do enredo, quando não há tempo para teus gestos milimetricamente pensados, para ensaios ou palavras decoradas, aquelas tuas, mais ridículas que o discurso de um vendedor de enciclopédia. Nesses dias te trais, não és senhor de ti, não tens um abrigo para proteger-te. Estás lá, mais transparente que vidro. Atravesso-te com meus olhos. Vejo teus órgãos internos em movimento, vejo-te mais do que nu. Vejo o que és e quem és. Mas isso de nada me serve. Porque daqui até a eternidade parece ser esse o único curso dessa estória, essa bizarra estória entre mim e tu.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

viagem ao centro da terra

Sabe o que descobri? Que sou uma cebola. Não, não a da salada. Na verdade, sou como uma cebola. E cebola tem camadas, muitas, uma após a outra. Comecei a retirá-las há um bom tempo. Primeiro a casca. Esfarelava, esfarelava, não saía toda. Depois é que vieram as camadas, mas parece nunca ter fim. Tal qual a dita cuja, deve haver um âmago, um centro. Desconfio ser meu coração, minha alma, meu subconsciente, ou tudo isso junto, mas não cheguei a lugar nenhum. O fato é que nem sei o que estou procurando. E também tem isso: eu sou é muito cebola, porque nessa coisa toda não é que choro? Pronto. Paro lá onde estou e deixo pro dia seguinte. Só que essa cebola não estraga, não fica escura, não apodrece. Ela só faz chorar, mas continua lá, intacta, esperando que eu tire mais uma camada, que eu vá mais fundo, que eu descubra mais coisas e que fique curioso por desvendar o que está embaixo. Morte às cebolas.

buscai e nem sempre achareis

Se me visto agora e saio pelas ruas, em cada esquina, o que procuro?

Quando fecho meus olhos depressa, ainda acordado, que alívio espero encontrar dentro de mim?

Quando abandono meu corpo, tantas vezes, cada dia, cada noite, que caminhos percorro?

Ah, nem sei quem sou de verdade

Talvez devesse ficar nu diante de um espelho, por horas, olhando em meus próprios olhos

Este estranho que me acompanha desde que nasci

Talvez ouvisse as palavras contidas nesse grito preso à garganta

Talvez isso me bastasse para borrar e reescrever minha vida

Ou talvez tivesse a coragem de desapropriar-me delas, entregá-las ao mundo

Quem ouviria? Ouviriam?

Ou diriam: pobre criatura

Mas não era eu quem acreditava que as coisas existem por si mesmas?

Que há uma força que as domina?

Quero ser salvo pela metafísica, pelo que imperfeitamente conheço dessa outra realidade

Porque o mundo real me dá com uma mão

Mas maldoso e traidor, me retira tudo com a outra

E nisso, se Deus existe, não há Justiça