sexta-feira, 9 de outubro de 2009
O pequeno pedaço de papel
Sóis se levantarão e deitarão, e mesmo assim, tudo ainda estará aqui, agarrado nas paredes do meu corpo, como o ar que respiro. Confesso-te, nada acabou. Embora por vezes quisesse ter dilacerado este coração com minhas próprias mãos, sangrá-lo, fazê-lo pequeno, vazio de todas as horas. Perdoa-me se partilho estas duras palavras, mas é a mim que escrevo, para que sempre me recorde, para que não me engane quando andar por aí, num mundo que me crê maior do que sou. Nesse dia, correrei para um canto onde não me vejam, desdobrarei este pequeno pedaço de papel e logo as palavras estarão úmidas dos meus olhos, porque, bem sei, nada acabou. Minha alma é permeável como a terra, e ela de tudo se inunda, e ela tudo retém. E minhas mãos, estas duas mãos que seguram o papel, elas sequer conseguiram tocar meu coração.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Miriam
Hoje chove a cântaros a tristeza da tua partida
A terra traga as lágrimas de todos os que te lembram
Os corações engolfam a dor da ausência
E nem essa fé imensa
Nos liberta ou nos compensa
Não te temos aqui, não te temos aqui
Mas não te aflijas, isso é só amor
Nosso grande amor por ti
Um amor feito dor
Por não te sentir
Não te beijar, não te chamar de Mirinha
Mas ainda estás aqui dentro
Plasmada, agarrada a nossa memória
Tua voz, teus gestos, teu grande espírito
Por isso continuamos olhando para o alto
Na esperança de ainda te ver
Ver-te em teu sorriso
Tua inocência
Que o tempo só aumentou
Sim, Miriam
São muitas as lágrimas que molham o chão
São tantas, tantas
Porque tanto, tanto
É o nosso amor por ti
A terra traga as lágrimas de todos os que te lembram
Os corações engolfam a dor da ausência
E nem essa fé imensa
Nos liberta ou nos compensa
Não te temos aqui, não te temos aqui
Mas não te aflijas, isso é só amor
Nosso grande amor por ti
Um amor feito dor
Por não te sentir
Não te beijar, não te chamar de Mirinha
Mas ainda estás aqui dentro
Plasmada, agarrada a nossa memória
Tua voz, teus gestos, teu grande espírito
Por isso continuamos olhando para o alto
Na esperança de ainda te ver
Ver-te em teu sorriso
Tua inocência
Que o tempo só aumentou
Sim, Miriam
São muitas as lágrimas que molham o chão
São tantas, tantas
Porque tanto, tanto
É o nosso amor por ti
sábado, 18 de abril de 2009
Sempre
A palavra que me abriga é sempre
Sempre, que é tão maior do que para sempre
Porque não tem partida
E nem tem começo o que sempre existiu
E qual o gigante que é o mar
Imenso, absoluto, infinito em meus olhos
Trago o universo dentro de mim
Cada partícula e os planetas
Cada palavra e a flexão de todos os verbos
O fogo que queima, a brisa que sopra, as pegadas na areia
O abraço que acalma, o cavalo selvagem, a água que cura
Sou tudo e sou todas as pessoas
Sou o filho e o pai, a mãe e os irmãos
Sou Deus e as estrelas
Sou o todo e sou o sempre
O sempre que não veio antes de agora
O sempre que é depois de hoje
O sempre que sempre será
A palavra que me abriga é sempre
Porque não tem fim o que sempre existiu
De outra forma nada haveria
Eu mesmo não seria
Sempre, que é tão maior do que para sempre
Porque não tem partida
E nem tem começo o que sempre existiu
E qual o gigante que é o mar
Imenso, absoluto, infinito em meus olhos
Trago o universo dentro de mim
Cada partícula e os planetas
Cada palavra e a flexão de todos os verbos
O fogo que queima, a brisa que sopra, as pegadas na areia
O abraço que acalma, o cavalo selvagem, a água que cura
Sou tudo e sou todas as pessoas
Sou o filho e o pai, a mãe e os irmãos
Sou Deus e as estrelas
Sou o todo e sou o sempre
O sempre que não veio antes de agora
O sempre que é depois de hoje
O sempre que sempre será
A palavra que me abriga é sempre
Porque não tem fim o que sempre existiu
De outra forma nada haveria
Eu mesmo não seria
domingo, 5 de abril de 2009
O amor à claridade
Nas distâncias vistas à claridade
Surgiu, enfim, sua maior verdade
Porque mesmo que o tivessem dito por piedade
Por nele virem aquela desconcertante humildade
Tudo agora era mais do que mera possibilidade
De que para esse homem tolo e sem vaidade
Cheio de dor, lágrimas e saudade
Não havia, mesmo, lugar para a maldade
Mas somente a terna ingenuidade
Dessas pessoas que põem o amor à claridade
Surgiu, enfim, sua maior verdade
Porque mesmo que o tivessem dito por piedade
Por nele virem aquela desconcertante humildade
Tudo agora era mais do que mera possibilidade
De que para esse homem tolo e sem vaidade
Cheio de dor, lágrimas e saudade
Não havia, mesmo, lugar para a maldade
Mas somente a terna ingenuidade
Dessas pessoas que põem o amor à claridade
sexta-feira, 27 de março de 2009
Tum, Tum, Tum, Tum
Qual parte de mim dói mais? Os pés que andaram tanto, tão longe já, ou estes olhos que insistem em buscar? Também tenho um coração, e ele faz Tum, Tum, Tum, Tum. Paro para ouvi-lo no silêncio: até quando? Pareço estar num intervalo sem fim, nesse alguém que não sou eu. Uma vida que não é minha, um sonho do qual é difícil acordar ou o reverso que não consigo ousar. E apesar disso, e apesar de mim, segue o teimoso coração: Tum, Tum, Tum, Tum.
domingo, 15 de março de 2009
Em minhas mãos
As portas estão abertas e não há mais ninguém no caminho. Ponho-me em marcha, a vencer a distância que me separa da grande verdade, qualquer que seja ela. E mesmo que nada pareça real, há a luz que me atravessa a alma e por isso sei que é dia e não noite, que estou vivo e não morto. Surpreendo-me por não sentir medo, porque nem mesmo imagino o que encontrarei fora daqui. Penso em Deus e sua corte de anjos, embora mais me pareça com o demônio e seus soldados de fogo. Rio de minhas tolas pretensões, porque nenhum deles tem qualquer interesse em mim. O fato é que estou por minha conta e risco, sem intermediários, sem representantes ou tutores, sem pai e mãe. Nada me resta senão meu destino e minha consciência, minhas ações e o resultado delas. Eu e mim mesmo. É o que tenho, o irrelevante peso de minha existência.
domingo, 1 de março de 2009
O vôo do pássaro
Mata-me, mata-me agora, mas não tiras o que vai dentro de mim, enraizado fundo no coração. Não removes a melancolia e nem a alegria que são minhas, só minhas. Não apagas meus passos e os dias vividos. Mata-me, mas não me matas, nunca me matarás, estou mais vivo do que nunca. Mata-me, e ainda seguirei nos pensamentos que viajam em alturas das quais não suspeitas e não podes alcançar. Mata-me, que não tenho medo do punhal. Antes que ele me atravesse o peito o pássaro já terá voado longe.
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