sábado, 29 de novembro de 2008
leia antes que eu apague
Preciso confessar que preciso ver. Sim, ver, por que não? Há quem dissesse de coisas mais importantes, como existir, ser, crescer, alcançar, melhorar, e...[pausa]... deixemos de lado essa lista, que ela é enorme e cansativa.Mas, de minhas prioridades, coroei o verbo ver. Sim, sim. Porque, se bem me lembro, para todas as coisas precisamos ver. Exceção aos cegos, mas eles não são o tema desta conversa. Volto ao verbo, agora conjugado: Eu vejo, tu vês, nós vemos. Ah, sim, ver é um ato bilateral, porque ver sem ser visto é como comida sem sal ou namoro sem beijo. Acho que os exemplos falam por si. Para comer ou beber basta-me eu. Para respirar, idem, idem. E para tomar banho? Não entro em detalhes de certos temas picantes, mas até para isso podemos agir sozinhos, e acho que fui bem compreendido. Ver, porém, esse ato de contemplar o mundo e reconhecer-se nele, de projetar-se para fora de si e de trazer o que está fora para dentro, não, esse não é um momento solitário, porque requer o cenário e os atores, ou só o cenário, ou só os atores, ou um ator que seja. Refiro-me, por certo, a tudo o que não sou eu. Portanto, ver é, de todos os sentidos, o mais dependente, o mais subserviente. E, sendo assim, o que mais vicia. Confesso que estou totalmente submisso a esse momento, o de ver. Tornou-se a pior das drogas, a mais perigosa, como se me faltasse o ar. Vejo, vejo, não vejo, não vejo, vejo, vejo, vejo, vejo, não vejo, não vejo. Também posso dizer: sou visto, sou visto, não sou visto, não sou visto, não, não, não, sim, sim, sim e assim por diante. Eis o emaranhado em que me meti. Há sinônimos: fria/roubada/furada. Qualquer dia revogo esta eleição, destituo o verbo, mando-o ao inferno e acaba-se o problema.
.....
Hoje ocorreu-me viver sem memórias
Nenhum passado
A morte solene de todas as estórias
Um eu sem mim
Um antídoto
A liberdade, enfim
Pura ironia
Com menos de um minuto
Dei-me conta dessa grande fantasia
A vida não se apaga de fato
Que para tal sorte de coisas
Até o diabo haveria de recusar-me um pacto
Nenhum passado
A morte solene de todas as estórias
Um eu sem mim
Um antídoto
A liberdade, enfim
Pura ironia
Com menos de um minuto
Dei-me conta dessa grande fantasia
A vida não se apaga de fato
Que para tal sorte de coisas
Até o diabo haveria de recusar-me um pacto
De Clarice Lispector o instigante"DÁ-ME TUA MÃO"
Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.
De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia.
Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
carta a mim mesmo
Na vida quero todas as coisas
A alegria e a melancolia
Pois se choro minha tristeza com lágrimas
Recolho com gratidão tantas dádivas
Na vida quero os bons e os maus sentimentos
Para transformá-los na força de meus desejos
Na vida quero a angústia, as quedas e os erros
Para superá-los pela esperança e pelos acertos
Na vida não quero a felicidade pronta, acabada
Quero-a recompensa ao fim da estrada
Na vida não quero o egoísmo da solidão
Porque sem amor tudo perde a razão
E sendo esses meus únicos desejos
Peço a Deus , que se um dia
Bem longe deste dia
Eu me esquecer desta poesia
Seja ela, de alguma forma, sempre
Meu norte e meu guia
A alegria e a melancolia
Pois se choro minha tristeza com lágrimas
Recolho com gratidão tantas dádivas
Na vida quero os bons e os maus sentimentos
Para transformá-los na força de meus desejos
Na vida quero a angústia, as quedas e os erros
Para superá-los pela esperança e pelos acertos
Na vida não quero a felicidade pronta, acabada
Quero-a recompensa ao fim da estrada
Na vida não quero o egoísmo da solidão
Porque sem amor tudo perde a razão
E sendo esses meus únicos desejos
Peço a Deus , que se um dia
Bem longe deste dia
Eu me esquecer desta poesia
Seja ela, de alguma forma, sempre
Meu norte e meu guia
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
minhas duas vidas
Anoitece
Fecho os olhos
Do meu corpo não sou mais refém
Mergulho nesse outro universo
Esse outro mundo, tão-perto
Não tenho pés
Não há cansaço
Sou como um pássaro no espaço
Sou o ontem, o hoje
Sou meu futuro
Mas amanhece
Abro os olhos
Volto dessa doce morte
Não sei se nisso há sorte
Mas volto, ainda
Não é hora
Não é agora
Há mais dias de vida
Nessa jornada comprida
Fecho os olhos
Do meu corpo não sou mais refém
Mergulho nesse outro universo
Esse outro mundo, tão-perto
Não tenho pés
Não há cansaço
Sou como um pássaro no espaço
Sou o ontem, o hoje
Sou meu futuro
Mas amanhece
Abro os olhos
Volto dessa doce morte
Não sei se nisso há sorte
Mas volto, ainda
Não é hora
Não é agora
Há mais dias de vida
Nessa jornada comprida
terça-feira, 25 de novembro de 2008
de todas as coisas, a que ficou não dita
Se fosse um cão, te cheirava o corpo
Se fosse um gato, me esfregava todo
Se fosse uma cobra, me enrolava em ti
Se fosse um vampiro, te sugava o pescoço
Se fosse tua roupa, te acariciava a pele
Se fosse um pouco de água, passeava por tua boca
Se fosse água benta, te bendizia a alma
Se fosse um punhado de ar, invadia teus pulmões
Se fosse o mar, te convidava a entrar
Se fosse um esconderijo, te levava lá comigo
Se fosse um lençol macio, me deitava contigo
Se fosse uma manhã de sol, saía contigo à rua
Se fosse um dia de chuva, ficava contigo à toa
Se fosse a alegria, comigo te ririas
Se fosse o universo, te o dava de presente
Se fosse Deus, te faria um anjo
Se fosse todas as palavras, te escrevia um livro
Mas se fosse apenas três delas
Olhando-te, diria:
Eu te amo
Se fosse um gato, me esfregava todo
Se fosse uma cobra, me enrolava em ti
Se fosse um vampiro, te sugava o pescoço
Se fosse tua roupa, te acariciava a pele
Se fosse um pouco de água, passeava por tua boca
Se fosse água benta, te bendizia a alma
Se fosse um punhado de ar, invadia teus pulmões
Se fosse o mar, te convidava a entrar
Se fosse um esconderijo, te levava lá comigo
Se fosse um lençol macio, me deitava contigo
Se fosse uma manhã de sol, saía contigo à rua
Se fosse um dia de chuva, ficava contigo à toa
Se fosse a alegria, comigo te ririas
Se fosse o universo, te o dava de presente
Se fosse Deus, te faria um anjo
Se fosse todas as palavras, te escrevia um livro
Mas se fosse apenas três delas
Olhando-te, diria:
Eu te amo
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
riam-se
Zero, minha inspiração é zero
De minhas idéias
Não sai nada do que quero
Ai que desdita
Pego o lápis, rabisco a folha
Mas não acabo a escrita
Mas porque preciso terminar este poema
Senão arrumo um grande problema
Proponho outro tema:
Pegue um balde e um esfregão
Junte a isso muita água e sabão
E mãos à obra
Pois um bom banho nunca fez mal ao cão!
De minhas idéias
Não sai nada do que quero
Ai que desdita
Pego o lápis, rabisco a folha
Mas não acabo a escrita
Mas porque preciso terminar este poema
Senão arrumo um grande problema
Proponho outro tema:
Pegue um balde e um esfregão
Junte a isso muita água e sabão
E mãos à obra
Pois um bom banho nunca fez mal ao cão!
Assinar:
Postagens (Atom)
